A situação financeira do Botafogo ganhou novos números com a divulgação de um relatório mensal da administração judicial. O documento, elaborado a partir das contas de julho de 2026, aponta que a SAF possui um passivo total próximo de R$ 3,5 bilhões, enquanto tenta reorganizar suas obrigações dentro e fora da recuperação judicial.

É importante diferenciar os valores: dos R$ 3,5 bilhões contabilizados no levantamento financeiro, aproximadamente R$ 1,29 bilhão está submetido à recuperação judicial. O restante corresponde a obrigações que, pelas características dos créditos, estão fora desse processo.
Dívida bilionária do Botafogo chama atenção
Segundo o relatório, cerca de R$ 967 milhões do passivo estão relacionados a negociações para aquisição de jogadores. Outros R$ 715 milhões correspondem a empréstimos, enquanto aproximadamente R$ 482 milhões são referentes a impostos.
O documento também registra cerca de R$ 836 milhões classificados como “repasses futuros”. Além disso, a SAF reconheceu recentemente aproximadamente R$ 951 milhões em obrigações com o clube associativo. Os números pertencem a diferentes classificações contábeis e, portanto, não devem ser simplesmente somados para estabelecer um novo total além dos R$ 3,5 bilhões informados.
Outro ponto de atenção aparece diretamente na operação do futebol. Entre janeiro e junho, o Botafogo teve aproximadamente R$ 412 milhões em despesas, diante de R$ 187,5 milhões em receitas.
A diferença produziu déficit de cerca de R$ 224,5 milhões no primeiro semestre.
Caixa do Botafogo entra no centro das atenções
O planejamento também foi afetado pelo adiamento de negociações de jogadores. Vendas previstas inicialmente para o segundo semestre foram transferidas para janeiro e fevereiro, postergando receitas esperadas pela SAF.
De acordo com o relatório, havia aproximadamente R$ 64 milhões em caixa, além de uma previsão de R$ 67 milhões em receitas até dezembro. Também aparecem R$ 139 milhões projetados em aportes por ações, sem identificação da origem desses recursos no documento citado.
A GDA Luma, grupo ligado ao empresário Gabriel de Alba, já participou desse processo. Em julho, realizou um aporte de aproximadamente US$ 15 milhões, cerca de R$ 78 milhões pela cotação utilizada à época. O dinheiro ajudou no fluxo de caixa e no cumprimento de obrigações financeiras.
Recuperação judicial vive nova etapa
O Botafogo entrou com pedido de recuperação judicial em abril de 2026. Em agosto, a Justiça autorizou o prosseguimento do processo, abrindo espaço para habilitações e divergências envolvendo os créditos apresentados.
Inicialmente, a SAF havia informado passivo superior a R$ 2,5 bilhões. O relatório mais recente chegou aos R$ 3,5 bilhões por considerar um conjunto mais amplo de obrigações, enquanto o processo de recuperação judicial abrange somente determinados créditos.
O cenário coloca três questões no centro do planejamento alvinegro: financiar a operação do futebol, preservar o caixa e reorganizar o elevado volume de dívidas. A entrada de novos recursos e a administração das despesas serão determinantes para a próxima fase financeira da SAF.
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