O Internacional precisa encontrar pelo menos R$ 140 milhões nos últimos meses de 2026 para encerrar a temporada com salários e seus principais compromissos financeiros em dia. O tamanho da necessidade de caixa foi apresentado pelo presidente Alessandro Barcellos durante uma reunião com os candidatos à sucessão colorada e expõe a dimensão do desafio que corre paralelamente à luta do time contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro.
O encontro ocorreu na noite de domingo e reuniu Roberto Melo, José Alfredo Amarante e Leonardo Aquino, além de dirigentes e integrantes do Conselho Deliberativo. Barcellos apresentou um panorama das finanças e detalhou as dificuldades encontradas para equilibrar as contas até dezembro.

Por que o Inter precisa levantar R$ 140 milhões?
O clube arrecadou muito menos do que projetava com vendas de jogadores e também perdeu uma receita importante de patrocínio. O orçamento para 2026 previa R$ 204 milhões em negociações de atletas, mas o Inter não conseguiu alcançar sequer um terço dessa meta até agora.
Outro impacto veio do patrocínio máster. O contrato com a empresa de apostas que ocupava o principal espaço da camisa foi encerrado por inadimplência no início do ano, retirando uma previsão de pelo menos R$ 50 milhões do caixa colorado. A combinação entre receitas frustradas e compromissos mantidos ao longo da temporada aumentou a pressão financeira.
Apesar da necessidade elevada de recursos, os salários dos jogadores estão atualmente regularizados. A doação de R$ 20 milhões feita pelo empresário Delcir Sonda ajudou o clube a quitar pendências de direitos de imagem e parcelas de um acordo relacionado ao 13º salário de 2025. O dinheiro trouxe alívio imediato, mas não resolveu a necessidade financeira para os meses finais.

Como o Inter pretende conseguir esse dinheiro?
A direção trabalha em diferentes frentes para ampliar prazos, buscar novas receitas e reorganizar obrigações. Uma delas passa pelas medidas jurídicas adotadas para alongar pagamentos de dívidas ligadas ao futebol, cenário que inclui o pedido recente de criação de um plano na CNRD.
A possibilidade de recuperação judicial também foi colocada na mesa durante a reunião com os candidatos. Barcellos, porém, mantém o entendimento de que esse não é o melhor caminho neste momento e aposta em outras alternativas para aliviar o fluxo de caixa até o encerramento do mandato.
O cenário fica ainda mais delicado diante das restrições impostas pela Fifa. O Inter possui dois transfer bans ativos, relacionados às contratações de Juninho, junto ao Midtjylland, e Ramon, do Olympiacos, além de outros processos financeiros em andamento. Resolver essas pendências também será necessário para recuperar plena liberdade no mercado de transferências.
Os R$ 140 milhões, portanto, não representam a dívida total do clube, mas a quantidade mínima de recursos que a atual gestão calcula precisar encontrar para atravessar os últimos meses do ano mantendo os principais compromissos equilibrados. Com pouco tempo até dezembro, a corrida financeira passa a ser tão urgente quanto a esportiva.
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